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Projeto “Quem pertence a este lugar?” fortalece pertencimento e debate sobre direito à cidade no bairro Campos Elíseos

Ao longo do primeiro semestre de 2025, o Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU), em parceria com a Rede BR Cidades e com apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), desenvolveu na Escola Estadual João Kopke, no bairro Campos Elíseos, em São Paulo, o projeto “Quem pertence a este lugar? Construindo novas conexões entre patrimônio cultural, memória e cotidiano”. A iniciativa buscou fortalecer o pertencimento dos estudantes ao território e ampliar o debate sobre direito à cidade, memória e patrimônio cultural, em um contexto de intensas transformações urbanas na região, marcado pelo projeto do Polo Administrativo do Governo do Estado de São Paulo e seus impactos sobre comunidades vulnerabilizadas.

O trabalho foi estruturado em um processo formativo gradual e participativo com estudantes do 3º ano do ensino médio, envolvendo metodologias como cartografias participativas, debates com convidados, exibição de documentários e resgate histórico. As primeiras atividades promoveram o reconhecimento do bairro e a construção de uma cartografia coletiva a partir das vivências e percepções dos alunos. Nas aulas seguintes, as discussões avançaram para a análise das transformações urbanas em curso, com destaque para o projeto do Polo Administrativo e seus efeitos no território. Lideranças de movimentos de moradia, ex-estudantes que protagonizaram lutas no grêmio escolar e pesquisadores compartilharam suas experiências, estimulando reflexões críticas sobre exclusão, remoções e disputas pelo espaço urbano.

As oficinas também possibilitaram descobertas sobre a própria escola, incluindo seu protagonismo nas ocupações secundaristas de 2015 e a história da arquiteta Mayumi Souza Lima, responsável pelo projeto arquitetônico original da instituição e defensora de processos participativos e horizontais na construção de espaços educacionais. Inspirada nesse legado, a equipe promoveu atividades que conectaram trajetórias passadas e presentes de resistência, reafirmando o papel da escola como território de luta e construção coletiva.

Os mapas colaborativos produzidos pelos estudantes revelaram demandas por equipamentos públicos que ampliem o acesso à cultura, ao esporte e a espaços de convivência comunitária. Longe de rejeitar mudanças no bairro, os jovens manifestaram o desejo por transformações que dialoguem com sua realidade e atendam às necessidades da população local, e não com projetos que priorizem interesses econômicos externos. Esse processo contribuiu para que os alunos se reconhecessem como agentes transformadores, fortalecendo sua participação nos debates sobre planejamento urbano e políticas públicas.

A última fase do projeto será a realização de uma feira na Escola João Kopke, prevista para agosto de 2025, que reunirá estudantes, professores, famílias e a comunidade local para socializar os conhecimentos construídos ao longo do semestre e celebrar as memórias e experiências compartilhadas

SISTEMATIZAÇÃO DO PROJETO “QUEM PERTENCE A ESTE LUGAR?”